A Helisolutions, única empresa de compartilhamento de helicópteros da América do Sul, começou a executar um ambicioso plano de expansão para este ano. Depois de um modesto crescimento de 10% no ano passado, a empresa pretende aumentar o faturamento entre 40% e 50% em 2004, com a abertura de bases de operação fora de São Paulo. Ontem, foi anunciado o investimento de US$ 4,6 milhões apenas nas estruturas montadas no Rio e em Campinas, que está prevista para março. Ainda este ano, estão programadas bases em Salvador e Porto Alegre. O presidente da Helisolutions, Walterson Caravajal Júnior, afirma que o plano de expansão é ainda mais abrangente e vai incluir o braço de jatos da companhia, o programa Jetsolutions, que será anunciado em dois meses. "Prefiro não falar muito, porque faltam alguns detalhes financeiros", diz ele. "Vamos começar em São Paulo e Rio, e a partir daí, em parceria com a Embraer, cobrir toda a América Latina", afirmou, adiantando apenas que o projeto inclui os jatos Legacy e Cessna Citation CJ2.
A expansão agressiva estava prevista no projeto inicial da criação da Helisolutions que tem como sócios a Rio Bravo Investimentos, a Audi Helicópteros e a Phoenix Strategic Financial Advisors - mas foi adiada por conta dos problemas na economia brasileira. "Nos últimos quatro meses já começamos a sentir uma melhora no mercado, um interesse crescente na aviação executiva" diz Caravajal. Em São Paulo, a empresa conta com seis helicópteros próprios, além de cinco aeronaves de reserva, utilizados por um número de usuários que varia de 100 e 110, segundo o presidente.
Pelo modelo de propriedade compartilhada da Helisolutions, cada cliente paga US$ 143 mil para ter uma cota de um helicóptero (o que corresponde a um décimo do preço) e uma taxa de administração mensal de R$ 7 mil, além de um valor de R$ 975 por hora voada. Caravajal diz que o custo não pode ser comparado com o de um táxi aéreo (que cobra cerca de R$ 2,5 mil por hora voada), por causa da qualidade e da segurança dos serviços prestados pela Helisolutions. Se a opção é pela propriedade exclusiva de uma aeronave, além do desembolso inicial ser dez vezes maior, a manutenção mensal sai por R$ 34 mil, segundo o presidente da empresa. "Nossa comissão é de só 2% na venda. Nosso ganho vem da administração desse modelo, que já existe fortemente no mercado de jatos"diz Caravajal. No Rio, a empresa vai começar operando com um EC 120 Colibri, mais apropriadamente para acomodar famílias que queiram passar o fim de semana em Angra ou em Búzios. Em São Paulo, 70% da utilização da frota é corporativa, e apenas 30% é para lazer - em geral os executivos que utilizam os helicópteros para ir às suas casas no litoral paulista. No Rio, a empresa acredita que esses percentuais são iguais.
Os clientes também vão poder utilizar os helicópteros nas duas cidades. Para agilizar o funcionamento das bases, a Helisolutions fez duas parcerias, uma com a Sata , empresa do Grupo Varig, para integrar o transporte de helicóptero com os vôos da ponte aérea, e com a Riana Taxi Aéreo, para utilização de seu hangar e serviços de apoio e manutenção.